October 2007

O menino que gosta do Led Zeppelin, mas não dos óculos

O Francisco é uma figurinha e tanto. Quando vamos passear nos finais de semana ele me pede para colocar no som do carro “rock and roll”, isso significa colocar “black dog” do Led Zeppelin. Já teve a fase “tic a break” (”think as a brick”) do Jethro Tull e também o “maracatú”, “maracatú atômico”, cantado por Chico Science e Nação Zumbi.

Para um garoto de 4 anos ele está indo bem! E olha, que não fiquei fazendo a cabeça dele. Escutamos de tudo no carro e foi ele quem elegeu essas músicas.

Recentemente, descobrimos que ele tem que usar óculos. Foi uma novidade que ele não gostou nem um pouco e em menos de um mês já deu cabo de dois óculos. Difícil adaptação.

Família, Amigos e Cia
Musicália

Comments (1)

Permalink

Colour Me Kubrick

kubrick.jpg

Ontem assistir o hilário “Totalmente Kubrick“, uma comédia baseada em fatos reais. O mote do filme é um camarada muito afetado que faz se passar pelo famoso diretor Stankey Kubrick em Londres.

A trilha sonora do filme está sensacional, ela foi praticamente toda tirada dos filmes de Kubrick. Embolei de rir na cena que ele sai de casa para ir na lavandaria ao som de “Assim Falou Zaratustra” de Strauss e usada por Kubrick numa cena de “2001: uma odisséia no espaço”.
John Malkovich faz o papel principal e dá um show à parte. Grande ator! Ele inverte os papeis de um outro filme recente dele o “Quero ser John Malkovich“.

Kinema

Comments (1)

Permalink

Chuva sobre o mundo II

Após mais de 120 dias, enfim, voltou a chover em Brasília. Estou há quatro anos na cidade e ainda não me acostumei com essa secura. Sempre falo que o primeiro semestre é o tempo de ser feliz em Brasília, no segundo semestre, resistimos.

A chuva foi muito bem vinda, até deu vontade de descer da sala onde trabalho para ir tomar um bom banho de chuva. Fiquei só na vontade.

A chuva metafórica do poema de Cardozo, nos remete à tempos sombrios. Tenho pensado muito nisso e como a “realidade” vista pela TV está ficando “realista” demais, a perseguição, caçada e abate de bandidos filmada e aplaudida. Dura demais essa realidade.

Tentaremos manter a paz e a alegria no coração para “Quando a luz surgir de novo, quando amanhecer, / E o primeiro sol nascer / Sobre o dilúvio”.

Braxília
Sexta-Feira Poesia

Comments (2)

Permalink

Chuva sobre o mundo

joaquim_cardozo.jpg

MARIANA
Joaquim Cardozo

Está chovendo sobre o mundo, Mariana.
Todas as portas se fecharam.
Todas as luzes se apagaram.
Todas as vidas se abismaram.
Está chovendo sobre o mundo.
Estou só, sem destino e sem abrigo.
Vejo a noite descer, cada vez mais negra, sobre a minha cabeça,
Sinto a água correr, cada vez mais fria, ao longo do meu corpo.
Como está chovendo sobre o mundo!
Onde estás? Onde estás, Mariana?
Quero te ver, quero te achar, quero te conhecer,
Quero que estejas perto de mim, Mariana,
Quando a luz surgir de novo, quando amanhecer,
E o primeiro sol nascer
Sobre o dilúvio.

Campos, 1942

Perambulações

Comments (0)

Permalink

O Presente

Soube hoje pelos jornais de Recife que o poeta Alberto da Cunha Melo faleceu ontem. Lembrei logo dos amigos José Arnaldo e Celinha que eram amigos próximos de Cunha Melo. Recife é uma cidade em constante ebulição cultural, principalmente nas letras, cinema e música. Peço licença para que hoje, um domingo, seja uma Sexta-feira poesia!
alberto-da-cunha-melo.gif
Alberto da Cunha Melo (1942 - 2007)

O que hoje recebes
e não podes pegar, guardar
em panos e papéis laminados,
é imperecível,
presente onipresente.
Estás com ele na chuva
e não temes que se desfaça.
Estas com ele na multidão
e não o escondes dos multilados.
O que não existe para os homens
deles estará protegido,
o que os homens não vêem
não poderão espedaçar.
Eis o que não te denuncia
porque não tem face
nem volume para ser jogado no mar.
Eis o que é jovem a cada lembrança
porque não tem data
e série, para envelhecer.
O que hoje recebes
não pode ser devolvido.

Recifeliz
Sexta-Feira Poesia

Comments (1)

Permalink