August 2007

MONUMENTO AO OXIGÊNIO

vaskopopa.jpg
Vasko Popa

um vinho rubro-terra me destina
a este país-braços-abertos
do coração do qual frondeja
a árvore da vida de olhos verdes

respira e assim anima
— exânime — uma estrela

me aterrorizam monumentos
grandes fantoches sobreerguidos
com frio e fogo e outras — invisíveis — armas

em parte alguma jubilou-me
um monumento ao oxigênio

todo armado de folhas
de flores e de frutos
e de outras verdades maduras

Sexta-Feira Poesia

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Outlandos D’America

outlandos.jpg

Adoro versões de música, principalmente dos Beatles. Alguns anos atrás estava com Cida na Galeria Joana D’arc, no Pina e estava tocando uma música diferente… depois de um tempo percebi que se tratava de uma coletânea de versões do Police, cantada por grupos latinos. Na semana seguinte corri numa loja do Recife e encontrei o CD.

Algumas mudanças depois e muitos CDs perdidos, não encontrei mais o Outlandos D’America entre nossas coisas, então fiz uma busca pela rede e baixei.

Clique no link ao lado para escultar “Venezuelan in NY“.

Musicália

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Os Ombros Suportam o Mundo

drummond.GIF

Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Declamado por Patrus Ananias:

os_ombros_suportam_o_mundo.MP3

Sexta-Feira Poesia

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AO PÉ DA PENA, de Paulo Leminski

leminski.gif

todo sujo de tinta
o escriba volta para casa
cabeça cheia de frases alheias
frases feitas
letras feias
linhas lindas
a pele queima
as palavras esquecidas
formas formigas
todas as palavras da tribo

por elas
trocou a vida
dias luzes madrugadas
hoje
quando volta para casa
página em branco e em brasa
asa lá se vai
dá de cara com nada
com tudo dentro
sai

Sexta-Feira Poesia

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Uma manhã livre em São Paulo

Essa manhã estava livre aqui em São Paulo. Então, resolvi enfim conhecer o Mercadão, como é chamado o Mercado Municipal da cidade. Acordei cedinho e fui tomar café da manhã por lá.

O Mercadão não é uma Feira de Caruaru, mas de tudo se encontra lá. Tem coisas, inclusive, que só tem lá, como o Bauru do Bar do Mané.

bardomane.jpg

Saindo de lá atravessei a muvuca em torno da 25 de Março e fui caminhando até o Museu da Língua Portuguesa, ver a exposição sobre a Clarice Lispector. Outra dica imperdível para quem passar por São Paulo por esses dias. Muito emocionante o clima criado, que leva o visitante a se sentir como se estivesse adentrando na intimidade da vida e das palavras da Clarice.

Eu não agüento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.
Clarice Lispector

Perambulações

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