November 2006

O homem, a luta e a eternidade

         
Murilo Mendes

Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!

Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.

Sexta-Feira Poesia

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Para Ver as Meninas

Para Ver As Meninas

Paulinho Da Viola

Silêncio, Por Favor
Enquanto Esqueço Um Pouco
A Dor Do Peito
Não Diga Nada Sobre Meus Defeitos
Eu Nem Me Lembro Mais
Quem Me Deixou Assim
Hoje Eu Quero Apenas
Uma Pausa De Mil Compassos
Para Ver As Meninas
E Nada Mais No Braço
Só Esse Amor Assim Descontraído
Quem Sabe De Tudor Não Fale
Quem Não Sabe Nada Se Cale
Se For Preciso Eu Repito
Porque Hoje Eu Vou Fazer
A Meu Jeito Eu Vou Fazer
Um Samba Pro Infinito.

macale.jpg

Escute aqui na voz de Macalé.

Musicália

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Udigrudi Recife

Agradeço a todos os amigos as palavras de apreço e consideração pelos primeiros passos desse blog caminhante… Celso foi além e me mandou o link para o simplesmente fantástico Udigrudi Recife. Nele se encontra a nata da nata das primeiras bandas de rock pernambucanas, surgidas no final dos anos 60 e início dos 70. Alguns permanecem em atividade ainda hoje como Alceu, Lula Côrtes, Zé da Flauta, Paulo Rafael e Zaldo, mas outras povoavam o meu imaginário e nunca tinha escultado como Ave Sangria e Aratanha Azul.
A Internet é maravilhosa e, ao mesmo tempo, desgraçada. Em poucos cliques estava escutando o som progressivo de Zaldo, João Maurício e Thales no Aratanha Azul. É tanta facilidade que até perde um pouco da aura da descoberta. Fiquei viajando nisso, pensando como à 20 anos atrás rodava pelas ruas do Recife atrás das lojas de discos usados. Eram verdadeiros esconderijos, coisa para iniciados!

Os melhores eram a Banca do Elvis, Humberto Som e a Disco 7. Essa última era profissional, LP’s bem conservados, local de bom acesso e estrategicamente localizada ao lado da Livro 7 e da lanchonete, que não lembro nome, que tinha a melhor fatia de pizza de toda Rua 7 de Setembro. Os donos da Disco 7, Leão e o “Gordo” tinha a maior paciência comigo. Ia lá uma centena de vezes apenas para namorar os discos, acho que cheguei ao ponto de conhecer mais o acervo do eles, sabia a até a ordem dos discos. O que tinha e o que não tinha. Quando pintava uma grana extra, estava lá comprando um disquinho. A maior compra foi, sem dúvida alguma, o LP duplo de Hermeto Paschoal Live in Montreaux, até hoje o meu disco preferido.

hermeto.jpg
A Banca do Elvis era sensacional! Será que ainda existe? Em plena Rua do Imperador, dividindo a calçada com os pedintes da Capela Dourada. Ivan, o dono da banca, era/é fã de Elvis e Roberto e esnobava dizendo para todo mundo que tinha uma das maiores coleções de dois reis do rock do Recife. Sempre tive a impressão que ele desprezava os clientes que, como eu, chegavam lá perguntando por discos de bandas de rock pesado e progressivo. Eu também não tinha saco para Elvis e retribuia o desprezo silenciosamente.

Humberto Som é um caso à parte, por isso deixei para o final. A loja era uma portinha ao lado da casa dele, que ficava nos fundos de um casarão antigo, em vias de desabar, na Rua da Matriz, a rua que sai ao lado da igreja da Rua da Imperatriz até a Rua Velha. Pense uma bocada! Da primeira vez que fui lá, estava sozinho e fui seguindo orientações de Pedro. Pensei várias vezes antes de entrar, mas sabendo que ele tinha preciosidades e que vendia por um preço camarada, fui em frente.

Humberto era/é uma figura estranha. De cara, um hippie que parou no tempo. O papo dele era sobre o fim da Babilônia. Pense! Mas ficava lá cantando hinos evangélicos, por que ele era crente. Uma piração total. Os pais moravam com ele e de vez em quando via os velhinhos no terraço da casa, simpáticos.

Depois da estranheza inicial, minha loja preferida passou a ser Humberto mesmo. Ele sempre tinha discos de rock progressivo bons e raros. Fiz minha coleção do Emerson, Lake e Palmer quase toda lá. Menos o tripo ao vivo que só encontrei na Galeria do Rock em São Paulo.

Incontáveis vezes fiz o percurso entre essas três lojas. Todos os grandes amigos da época foram companhia e íamos quase sempre apenas para olhar os discos e bater papo sobre música. Sempre com uma parada para tomar um mate com limão ou um caldo de cana.

Sabíamos que alguns discos nunca íamos encontrar nas lojas do Recife, mas nem por isso deixávamos de procurar. Era uma garimpagem e cada disco novo uma grande descoberta. A Internet muda bastante a lógica da oferta e procura das raridades musicais, mas tenho certeza que nesse momento tem algum adolescente maluco procurando CD’s e DVD’s raros nas ruas das cidades.

Perambulações

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Eu vi o mundo e ele começava no Recife!

pontedeferro.jpg

Para iniciar esse Blog nada como uma bela homenagem ao Recife. Encontrei o site Recife em Retratos do Raul Kawamura que me emocionou muito, principalmente por que no seu fotolog ele retrata alguns dos locais que mais gosto do Recife: a Imperatriz, a Conde da Boa Vista, a 7 de Setembro, o Pátio do Carmo e a Ponte de Ferro. Imperdível esse site, merece entrar no bookmarks de quem ama nossa cidade.

Perambulações

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