Quando tinha uns 13 anos fui com um tio assistir ao filme “Jango” de Silvio Tendler. Gostei muito do filme, mas confesso de tirei um cochilo durante a exibição. Ano passado, tive a oportunidade de rever o filme recentemente numa mostra do CCBB de Brasília. É um resgate importante dos fatos políticos que antecederam ao golpe militar no Brasil. Imperdível.
Sempre tive vontade de assistir “A Batalha do Chile“, de Patrício Guzmán, um documentário de mais de 5 horas de duração com enredo bastante semelhante sobre o golpe de estado no Chile que assassinou o presidente Salvador Allende, encerrando o primeiro período histórico em que as forças populares governaram o Chile.
Nessas férias tive oportunidade de encontrar os filmes lançados no ano passado no Brasil pela coleção VideoFilmes em 4 DVDs. Minha expectativa foi superada em muito. O Filme é maravilhoso tanto do ponto de vista político quanto estético. Poucos filmes conseguem capturar de forma tão objetivo uma realidade tão complexa quanto as intrigas e manipulações de antecederam ao golpe. As imagens de época, com entrevista com pessoas comuns nas ruas e a dinâmica da câmera próxima às pessoas aproximam ainda mais o espectador do drama chileno.
A primeira parte do documentário, intitulada “A Revolta da Burguesia“, inicia com a cena impactante do bombardeio do Palácio de La Moneda. Uma cena muda que denota a violência e a destruição que os militares, abertamente apoiados pelos Estados Unidos, eram capazes para dar fim ao regime popular. A cena final é igualmente chocante, quando um cinegrafista é assassinado por um militar que iniciava o golpe enquanto o filmava.

Os filmes de Patrício Guzmán
Os filmes de Silvio Tendler