Braxília

O Triste Carnaval de Brasília

Até já superei ficar mais um ano em Brasília sem ir para o Recife no carnaval. Nos arruamos como podemos por aqui: Suvaco da Asa, Pacotão, Galinho de Brasília e, principalmente, filmes em DVD para assistir em casa. Temos alguns consolos.
No Suvaco, encontramos alguns amigos do Recife. Conversando com um deles sobre a reação dos moradores por onde o bloco passa, falei que alguns até demonstravam que estavam se animando, mas outros olhavam da janela com aquela cara de irritação “o que esses caras estão fazendo aí atrapalhando minha soneca do sábado à tarde”. Esse amigo falou uma verdade: “nós estamos ensinando o pessoal de Brasília a ser feliz”. Achei isso muito bom. Apesar de aceitar que algumas pessoas possam ser muito felizes tirando seu cochilo o sábado à tarde.

Galinho 2008

Galinho 2008

Na terça-feira de carnaval, fui com Francisco (4 anos), meu pai, de passagem por Brasília, meu irmão e minha cunhada para o Galinho de Brasília. Foi o terceiro ano que vamos lá. Não dá para comparar com o Galo original, mas gosto da festa, do carnaval de irreverência e do clima “família” com muitas crianças fantasiadas e tranquilidade.

Chegamos e saímos na paz, sem presenciar nenhum tipo de confusão.

Fiquei surpreso ao saber depois que tinha havido um tumulto pouco depois de sairmos. Achei que tinha sido algo isolado, mas quando vi as imagens fiquei chocado com a truculência da polícia de Brasília. Não havia necessidade nenhuma para aquilo tudo. Isso é o mínimo que podemos dizer, principalmente sabendo que lá estavam crianças e idosos.

Não se sabe bem o que motivou uma ação (não diria nem que foi uma reação) tão violenta do BOPE do DF, mas algumas pessoas falam que moradores das quadras vizinhas estavam reclamando do barulho e da bagunça. Lamentável.

Braxília

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Chuva sobre o mundo II

Após mais de 120 dias, enfim, voltou a chover em Brasília. Estou há quatro anos na cidade e ainda não me acostumei com essa secura. Sempre falo que o primeiro semestre é o tempo de ser feliz em Brasília, no segundo semestre, resistimos.

A chuva foi muito bem vinda, até deu vontade de descer da sala onde trabalho para ir tomar um bom banho de chuva. Fiquei só na vontade.

A chuva metafórica do poema de Cardozo, nos remete à tempos sombrios. Tenho pensado muito nisso e como a “realidade” vista pela TV está ficando “realista” demais, a perseguição, caçada e abate de bandidos filmada e aplaudida. Dura demais essa realidade.

Tentaremos manter a paz e a alegria no coração para “Quando a luz surgir de novo, quando amanhecer, / E o primeiro sol nascer / Sobre o dilúvio”.

Braxília
Sexta-Feira Poesia

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