Perambulações

O Cheiro do Ralo

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Nesse fim de ano no planalto central estou aproveitando para curtir bem a família e assistir filmes que não pude ver durante o ano. Estou caprichando nos blockbusters, não por opção, mas por não ter encontrado ainda uma locadora decente em Brasília.

Dei sorte e encontrei O Cheiro do Ralo numa locadora aqui perto de casa. Filme com o Selton Mello é uma ótima pedida sempre. Mas dessa vez me surpreendi não só com o ator mas com o filme todo. Escatológico e belo ao mesmo tempo, com uma trilha sonora de primeira, o filme supreende.

Tem um trailer dele no Youtube.

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Uma imagem do nosso país

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Sobre inveja e viagens

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Tenho uma inveja saudável dos amigos que escrevem bem pra caramba, até seguro as pontas mantendo discretamente esse blog sem finalidade, mas o Samarone está abusando e já estou quase ficando com inveja de verdade dele: o cara faz caminhadas numa semana, na outra também. A gota d’água foi ele ter ido até Canudos, passando por Chorochó. Pelo menos poderia ter me convidado, apenas uma gentileza, porque claro que eu não poderia ir, mas um convite faria toda diferença… :)

Essa semana me deu vontade de atualizar o blog, após assistir ao “Vou de volta“, que passou na mostra Cinema e Direitos Humanos. O filme é uma delícia, apesar do nítido improviso da produção, mas acredito que a proposta era essa mesmo. O filme narra duas viagens uma de Caruaru até São Paulo e outra no caminho inverso. Os cineastas, Camilo Cavalcante e Cláudio Assis, conseguiram captar bem o drama de vida daquelas pessoas que partem em busca de algo fora do seu canto, em geral trabalho. O filme nos faz pensar e rir, coisa rara hoje em dia.

Mas não foi só as histórias do filme que fez pensar. Lembrei dos tempos que ia numa sala alternativa no Recife, não lembrei o nome agora, mas ficava na rua da Aurora. Lá assisti lá os primeiros vídeos dirigidos pelo Camilo, numa época que fazer cinema era de uma teimosia até maior do que hoje em dia. Recife era um caldeirão onde um monte de coisas estava acontecendo, mas nunca achei que fazer cinema fosse viável na cidade. Fico feliz de ver algumas figuras vingaram e estão aí criando imagens e contando histórias.

Esse fim de ano vou ficar em Brasília, talvez por isso a inveja das viagens esteja maior do nunca!

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Chuva sobre o mundo

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MARIANA
Joaquim Cardozo

Está chovendo sobre o mundo, Mariana.
Todas as portas se fecharam.
Todas as luzes se apagaram.
Todas as vidas se abismaram.
Está chovendo sobre o mundo.
Estou só, sem destino e sem abrigo.
Vejo a noite descer, cada vez mais negra, sobre a minha cabeça,
Sinto a água correr, cada vez mais fria, ao longo do meu corpo.
Como está chovendo sobre o mundo!
Onde estás? Onde estás, Mariana?
Quero te ver, quero te achar, quero te conhecer,
Quero que estejas perto de mim, Mariana,
Quando a luz surgir de novo, quando amanhecer,
E o primeiro sol nascer
Sobre o dilúvio.

Campos, 1942

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Canção Bêbada

Dante Milano
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Estou bêbedo de tristeza,
De doçura, de incerteza,
Estou bêbedo de ilusão,
Estou bêbedo, estou bêbedo,
Bêbedo de cair no chão.

Os que me virem caído
Pensarão que estou ferido.
Alguém dirá: “Foi suicídio!”
“É um bêbedo!” outros dirão.

E ficarei estirado,
Bêbedo, desfigurado.

Talvez eu seja arrastado
Pelas ruas, empurrado,
Jogado numa prisão.

Ninguém perdoa o meu sonho,
Riem da minha tristeza,

Bêbedo, bêbedo, bêbedo,

Em mim, humilhada a glória,
Escarnecida a poesia,

Rasgado o sonho, a ilusão
Sumindo, a emoção doendo.

E ficarei atirado,
Bêbedo, desfigurado.

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